quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Ainda a "respirar as emoções da viagem"


Já passaram duas semanas desde que regressámos das terras antárcticas. Guardamos memórias marcantes daqueles locais que estarão connosco para o resto das nossas vidas. Não esquecendo onde estivemos, devemos lembrar-nos de onde vimos e o porquê de termos conseguido esta viagem. Esta oportunidade não se teria proporcionado se não tivéssemos tido o apoio da nossa Professora Emiltina Matos e a nossa antiga Escola Secundária Anselmo de Andrade. Desde a motivação, ao produto final, devemos parte do mérito a estas entidades. Nada disto teria sido possível sem a vossa ajuda: estamos eternamente gratos a todos.

Um obrigado muito especial,

João Covita, Maria Inês Martins, Marta Alves e Miguel Guerreiro

“Ice Scream”

domingo, 13 de janeiro de 2008

Chegámos!!!!

Obrigada a todos que nos têm vindo a acompanhar e apoiar nesta aventura de 15 dias em busca das maravilhas da Antárctida. Bem de algumas maravilhas porque a Antárctida "esconde" de certo muito mais deslumbramento que aquele com que fomos presenteados. Somos uns verdadeiros privilegiados por ter tido oportunidade de ver, sentir e respirar a magia da Antárctida. Todos concordamos... ainda bem que a acção do homem se encontra presentemente limitada pelo Tratado que confere a este Continente algum do respeito e dignidade que lhe é devido. O esplendor do ecossistema que a Antárctida concentra e de muitas outras “Antárcticas” que existem pelo nosso planeta, deveria, só por si, ser o motivo da subjugação do homem a imponência destes paraísos.

Seria um acto de puro egoísmo manter toda esta informação fechada no nosso pensamento e coração. É nosso dever partilhá-la com todos vós para que a importância das regiões polares para o nosso planeta assuma, em Portugal e de uma vez por todas, uma voz com assento nos principais órgãos decisores sobre o futuro deste ecossistema e seus habitats. O processo evolutivo e acelerado das alterações climáticas tem de ser travado pois não vos queremos falar de tudo o que vivemos, vimos e sentimos como parte de um passado. Estamos inteiramente ao vosso dispor e contamos também convosco para juntos passar-mos este testemunho.
Queremos continuar a acreditar que a Antárctida será sempre a nossa tão querida e amada Antárctida tal como a conhecemos e continuamos a imaginar.

Não seria justo fechar este capítulo sem fazer os devidos agradecimentos a todos quantos possibilitaram a concretização deste sonho. Obrigado à Ciência viva pelo apoio financeiro, e em especial à professora Ana Noronha, ao Alexandre Trindade e à Cristina Figueira, pela forte colaboração prestada; a todas as entidades privadas que acreditaram em nós e nos apoiaram nos momentos finais, nomeadamente Sonae, Ren, Ageneal, Amarsul, Meci, Helly Hansen, Câmara Minicipal de Almada, Câmara Municipal de Palmela e Junta de Freguesia de Grândola; a todos os nossos familiares e amigos que nos acompanharam em coração; a toda a equipa da expedição canadiana Students On Ice pela força de vontade, coragem e prazer com que fazem chegar a mensagem da importância das regiões polares às gerações mais novas de todo o Mundo; um muito e sincero obrigado ao projecto LATITUDE60! e respectiva equipa de coordenação, CCMar, CEG e APG, pela oportunidade criada e por todo o apoio e disponibilidade total na preparação e execução/acompanhamento neste evento e também por todo o apoio/parceria futura e incondicional na importante tarefa de transmitir a nossa mensagem da importância das regiões polares a todos os portugueses. Não querendo desmerecer o trabalho de nenhum elemento envolvido no projecto LATITUDE60!, gostaríamos de enviar um especial abraço ao Gonçalo Vieira, pela acção visionária para iniciar todo este processo; e por último, e porque não queremos deixar ninguém de fora, um muito obrigada a todos por acreditarem em nós.

Aguardamos as vossas sugestões e contactos,

Andreia Raposo, Inês Murteira, Irina Boteta, João Covita, Maria Inês Martins, Marta Alves, Miguel Guerreiro e Ana Salomé

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Mais alguns filmes para que se deliciem com as nossas aventuras por terras da Antárctida.

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terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Uma experiência de vida

Antes de embarcarmos nesta viagem, nunca tínhamos imaginado o que nos iria esperar. Apesar de toda a preparação prévia e de todo o conhecimento adquirido, fomos completamente surpreendidos pela beleza e esplendor deste continente.

Sabiamos também que partilharíamos esta aventura com uma vasta equipa educacional altamente qualificada, mas não nos passou pela cabeça que estas pessoas teriam uma experiência de vida inigualável. Temos sentido um enorme privilégio em poder contactar com elas, que sempre demonstraram uma grande simpatia e disponibilidade para esclarecer as nossas duvidas, ou para, pura e simplesmente, manter uma conversa agradável e informal.

Algumas destas pessoas conhecem a Antárctica como a palma das suas mãos e ainda ontem à noite tivemos a oportunidade de conversar com os mais idosos membros desta expedição: Fred Roots e Fritz Koerner. Estes senhores têm, respectivamente, 86 e 74 anos e têm um espírito muito mais dinâmico que muitos jovens da nossa idade. É incrível como eles fazem absolutamente o mesmo que todos nos (subir a montanhas, fazer caminhadas, e tantas outras coisas), apesar de aparentemente mais limitados pelos seus corpos envelhecidos, e como adoram conversar com os mais jovens, partilhando as suas histórias e experiências. Eles estiveram na Antárctica varias temporadas, tendo sido uns dos investigadores a fazer parte da primeira expedição cientifica neste continente. Apesar de toda a sua experiência, conseguimos ainda detectar nos seus olhos o brilho de um jovem que se fascina pela primeira vez com este local extraordinário. Estes senhores são uma autêntica prova de que a jovialidade nem sempre se prende com a idade, mas sim com a mente e com o espírito. É um prazer inimaginável viver esta expedição com pessoas como eles que, para nós, são quase como heróis dos nossos tempos.

Inês Martins e Marta Alves

Nostalgia dos últimos momentos....!!!


Está-se a aproximar cada vez mais o fim da nossa viagem… vou sentir imensas saudades de tudo isto; das pessoas que nos têm acompanhado e ensinado muito ao longo da viagem, do sossego, das paisagens, dos amigos que fiz…enfim, uma parte de mim vai ficar muito triste por ir embora e deixar este maravilhoso sítio, mas vou ficar contente por rever a minha familia e amigos. Para mim a Antárctica revelou ser um mundo à parte! Se pudesse ficaria aqui por muito mais tempo, pois não sinto falta do mundo “exterior”.

Posso dizer que com esta viagem descobri algumas coisas acerca de mim. Fiquei completamente apaixonada por glaciologia e oceanografia, e penso que isso vai mudar as perspectivas que eu tinha a cerca do meu futuro. Agora percebo o Ian (músico), quando disse que ao olhar para as vastas paisagens da Antárctida, viu Deus. Para mim, não se trata propriamente de religião, mas sim da imensa beleza nunca antes vista que este continente apresenta. Ao absorver todos estes sentimentos, faz-nos pensar e olhar para as coisas de uma maneira diferente. Para mim é um grande privilégio estar na companhia de pessoas com uma vasta experiência de vida e com uma sabedoria fenomenal sobre a Antárctida. Aqui todos tem um conhecimento geral da Antárctida mas cada um é especializado em determinados campos (biologia marinha, geologia, oceanografia, glaciologia, etc). Depois desta experiência, compete-nos a nós fazer chegar as outras pessoas, a importância que os pólos têm sobre todo o planeta. É necessário sensibilizar as pessoas para a protecção do meio ambiente para que possamos usufruir da beleza que se esconde por todo o planeta.

Bem, depois desta maravilhosa experiência na região polar sul os meus olhos estão agora definitivamente virados para o norte.

Andreia Raposo

O último dia a bordo do Ushuaia

6 de Janeiro de 2008


Hoje foi o nosso ultimo dia a bordo do navio. Continuamos com as actividades dos action groups. Foram apresentados os projectos finais, todos eles bastante ambiciosos que esperemos que se venham a concretizar. Estamos a falar, nomeadamente, de organização de concursos, exposições, elaboração de paginas web, de recursos didácticos, de comunicados, etc. A base destes trabalhos assenta numa parceria com organizações já existentes e reconhecidas mundialmente.

Pessoalmente, estar integrada neste grupo (defesa dos direitos humanos) revelou-se um dos mais importantes momentos para mim. Senti que ganhei força para fazer a diferença e tomar iniciativas por aquilo em que acredito.

Foram colocadas folhas na sala de convivio para que todos escrevessemos as nossas ultimas impressões em relação à viagem. No fim do dia, as folhas estavam recheadas de mensagens de amizades que se formaram e de momentos vividos.

Fizemos tambem uma ultima reunião geral onde se constatou o sucesso da viagem a todos os níveis.

Acabamos a tarde com uma apresentação nossa sobre Portugal, onde falamos, superficialmente, do que caracteriza cada região do nosso país.

Ouvimos o anuncio para o nosso último jantar a bordo do Ushuaia. Foi engraçado ver como a tripulação decidiu preparar a ultima refeição com um toque diferente.

Pela noite, festejamos o nosso último dia a bordo do Ushuaia. Tiramos as ultimas fotos de grupo, começamos a despedirmo-nos e reflectimos sobre tudo o que passámos juntos.

Fizemos agradecimentos a tripulação que nos acompanhou nesta extradionária expedição e, para animar a nossa noite, tivemos uma demostração de talentos, que nos deixou muito surpreendidos. Ouve quem cantasse, quem dançasse, quem recitasse poemas, ...

Foram também entregues os prémios do concurso de poesia, sendo, o primeiro prémio, um copo que serviu para uma experiência sobre os efeitos da pressão na zona do afundado Titanic. Esse mesmo copo foi oferecido pela Belinda, que faz mergulhos para o estudo do histórico navio.

Amanhã espera-nos um longo dia de viagem até Buenos Aires.

Irina Boteta

Good morning Students-on-ice!

5 de Janeiro de 2008

O dia de hoje começou como todos os outros com a voz do Geoff a anunciar o seu habitual ‘Good morning Students on ice!’ pelos altifalantes espalhados por todos os quartos e corredores do navio. Infelizmente, hoje foi o primeiro dia da famosa Passagem de Drake que, à vinda, nos deixou bastante atordoados. Vamos lá ver como vai ser desta vez! Hoje foi também o primeiro dia em que falámos mais profundamente de toda a problemática do aquecimento global e a sua relação com os pólos.

A seguir ao pequeno almoço assistimos a uma palestra, dada pelo Eric, cujo tema era “Sailing towards a sustainable future”. Nesta palestra salientou-se que os recursos naturais estão, de uma forma geral, a ser explorados pelo ser humano para além da sua capacidade de regeneração. Este tema também foi focado na palestra seguinte realizada pelo David, intitulada “Be the change?”, na qual nos foi dada a motivação e o método para tentar definir o problema e encontrar soluções para o mesmo. Ambas se debruçaram sobre o “futuro sustentável” e o quão próximo estamos de o conseguir se agirmos da forma mais correcta.

Da nossa necessidade de actuar surgiu a iniciativa de formar ‘action groups’ que, agrupando as diferentes nacionalidades nesta expedição, têm em vista tomar medidas que possibilitem combater diferentes problemáticas mundiais. Foram fundados cinco grupos de acção cujos temas são: Alterações climáticas (do qual fazem parte a Inês Murteira e o João), Sobreconsumo de recursos, Água (qualidade e quantidade), Direitos Humanos (integrado pela Marta e pela Irina) e Conservação da vida selvagem (grupo no qual a Inês Martins, a Andreia e o Miguel estão incluidos).

Depois de reunidos os diferentes grupos e de uma breve discussão sobre os temas, foram recolhidas algumas ideias dentro dos mesmos, que virão a ser partilhadas entre todos amanhã. Estamos muito entusiasmados e com vontade de contribuir para o bem-estar do nosso querido planeta!

Ainda hoje, tivemos diversas apresentaçoes dos membros da equipa do Students on Ice que já viveram na Antárctica. O David, o Fred, o Fritz, o Ian e o Alex partilharam connosco as suas experiências profissionais e pessoais neste magnífico mas perigoso local. Mostraram-nos imagens fascinantes, que revelavam tempos muito dificeis que todos ultrapassaram sempre com um espirito triunfante.

Mais uma vez, sobrevivemos à atribulada viagem da Passagem de Drake e, embora já não estejamos na Antárctica, com muita pena nossa, não perdemos a garra e vontade de aprender sempre mais! Estamos ansiosos pelo dia de amanhã!

Joao Covita e Marta Alves

A expedição Students-on-ice chegou hoje, 7 de Janeiro, a Ushuaia (Argentina) durante a manhã. A chegada está prevista para o aeroporto da Portela na próxima 4ª feira, dia 9 de Janeiro ao final da manhã.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Último dia na Antárctida


Fotografia: Students-on-ice

4 de Janeiro de 2008

Todos os dias somos despertados pelo chamamento matinal e, sempre que isso acontece, eu e a minha colega de quarto resmungamos e ficamos na cama por mais uns minutos. Hoje, no entanto, o despertar foi particularmente diferente e revigorante. Era suposto levantarmo-nos às 7h, mas às 6 ouvimos a voz do Geoff dizer qualquer coisa como “If you are not at the deck watching this spectacular view, you should be”. Assim que ouvi estas palavras, saltei da cama, inacreditavelmente, e vesti o casaco por cima do pijama. Quando saí para o convés tive um dos momentos mais marcantes de toda a viagem, ao deparar-me com uma das paisagens mais belas, senão a mais bela, que alguma vez vi. É impossivel descrever a beleza, a imponência e o esplendor que estavam perante os meus olhos. A quietude do local e a virgindade da natureza, típicas da Antarctica, foram também impressionantes. Fiquei completamente extasiada e não consegui parar de apreciar e tirar fotos.

Fotografia: Students-on-ice

Continuámos a navegar por entre montanhas cobertas de gelo e icebergs flutuantes, até que, cerca de duas horas depois, encontrámos uma baía deslumbrante, coberta de “fast ice” (uma fina camada de gelo que se estende sobre o oceano). Depois de o staff verificar se o gelo era suficientemente espesso para suportar o nosso peso, lá desembarcámos, um pouco receosos, mas super entusiasmados. Seria o nosso último desembarque na Antarctica, e, como tal, teve um significado especial. Estivemos algum tempo a observar a beleza do local, a tirar fotos, e a divertirmo-nos, até que nos reunimos todos e tivémos um momento de reflexão acerca de como a nossa vinda à Antárctica vai mudar as nossas vidas. Após um momento de partilha destas reflexões, regressámos ao navio para o almoço.

Fotografia: Students-on-ice

Da parte da tarde, fizemos o nosso último “zodiac cruise”, tendo como paisagem de fundo a mesma que nos havia acompanhado desde a manhã. Foi espectacular: tivemos oportunidade de ver e fotografar focas e pinguins, deitados sobre os icebergs, e tentámos usufruir ao máximo daquele que seria o nosso último contacto com este continente magnífico. Regressámos ao navio com uma tristeza inevitável e uma enorme vontade de não deixar aquele local e toda a Antárctica, pela qual acabámos por nos apaixonar.

Fotografia: Students-on-ice

Não há dúvida de que este local, que, no fundo, é o ultimo local da Terra que não foi destruido pelo Homem, tem qualquer coisa de mágico que nos faz pensar acerca de tantas questões que a maior parte das pessoas, infelizmente, desprezam e ignoram. Espero que consigamos transmitir este sentimento, que é comum a todas as pessoas desta expedição, quando regressarmos a Portugal, e que consigamos alertar verdadeiramente as pessoas para a importância de preservar e respeitar a natureza para o bem da humanidade, dos animais e do mundo.

Inês Martins



sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Madrugada de ansiedade


Fotografia: Students-on-ice.

Como o Geoff nos tinha avisado, dia 2 iamos ter uma saída de zodiac logo pelas 6h30 da manhã, mesmo antes do pequeno-almoco, e que ele nos acordava as 6h00 pelos altifalantes distribuídos pelo navio. Eu fiquei ansioso e preocupado porque, estando um pouco cansado, tinha receio de não conseguir acordar tão cedo, mesmo com a chamada pelo altifalante. Ouvi um comunicado do Geoff do qual não percebi nada pois estava com uma camada de sono enorme e, como já tinha previsto, só me levantei muito tempo depois. Quando fui perguntar as horas ao meu colega de quarto, ele disse-me que eram 7:30, entrei em pânico, fui-me vestir o mais rápido possível. Nos corredores não vi ninguém, no bar, ninguém, no convés e na zona de embarque, mais do mesmo, até que fui ao convés ver no horizonte se havia zodiacs (estava a nevar), e pensei em ir a ponte do navio (local de controlo de navegação) para me porem ao corrente. Cheguei à ponte, e perguntei aos imediatos (elementos abaixo do capitão) se os zodiacs já tinham saído. Eles responderam-me que não, ainda era muito cedo. Estranhei, afinal devia estar atrasado em mais de 1 hora da partida. Perguntei as horas, a que eles responderam: 1:45 da manhã!!!

Ou eu imaginei a chamada do Geoff, tal não era a minha ansiedade, ou então pensei que um dos constantes comunicados em castelhano da ponte era do Geoff. O meu colega de quarto não se lembra de eu ter falado com ele naquela noite, tal não era a camada de sono que ele também tinha. E de lembrar que aqui é sempre dia, só o sol é que se esconde ligeiramente por um pouco no horizonte.

Miguel Guerreiro

Publicado também em http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=24746&op=all

Os gigantes gelados e rochosos rodeavam o navio


Fotografia: Students-on-ice.

3 de Janeiro de 2008

O dia começou às sete da manhã, com a entrada no Lemaire Channel. Pelo altifalante, fomos avisados que estávamos prestes a entrar num magnífico canal, delineado por grandes montanhas e glaciares.

Os olhos fixaram-se no percurso do navio, através das águas geladas, mesmo antes do pequeno almoço.

Nevava. O navio revelou-se coberto por um manto branco, o qual depressa se transformou num boneco de neve, com direito a cenoura e tudo!

Os gigantes gelados e rochosos, rodeavam o navio, revelando o quão pequenos somos, perante o poder da Natureza.

Os icebergues surgiam por todos os lados, alguns salpicados com pinguins, outros com focas. Conseguimos até avistar algumas baleias.


Fotografia: Students-on-ice.

Ainda durante a manhã, depois do pequeno almoço, fomos a terra, a Yalour Islands. Cercados de pinguins, gelo, neve, aves, montanhas e oceanos, a paisagem revelou-se digna de um quadro, em que os humanos se conseguiam fundir com as leis do ecossitema. Alguns pinguins Gentoos guardavam os seus ovos, alguns as crias já nascidas, enquanto outros ajudavam na construção dos ninhos, transportando pequenas pedras.


Fotografia: Students-on-ice.

De seguida, fizemos um pequeno cruzeiro nas Zodiac por entre imensos icebergues, que se revelaram com as mais variadas formas e tamanhos, muito para além do que a imaginação alcança. Uns tomavam parecenças com cogumelos, outros com baleias, cascatas, etc.

Regressados ao navio, almoçámos e tivemos algum tempo de descanso, que aproveitámos para conviver com os outros estudantes.

Pela tarde, assistimos a uma palestra, dada pelo cientista Fred Roots, sobre o Ano Polar Internacional e o Tratado da Antárctida, onde foi evidenciada a importância da cooperação científica, a nível internacional, para o desenvolvimento da ciência. Não sendo de ninguém, a Antárctida é de todos. Nenhuma especie de actividade militar é permitida neste territorio, sendo, assim, o único continente do planeta que nunca presenciou uma guerra.

Fomos, depois, novamente a terra. Pisámos, então, Port Lockroy, onde tivemos a oportunidade de comprar algumas recordações e, finalmente, enviar postais! Em Port Lockroy desenvolve-se uma pesquisa sobre o impacto do turismo nas colónias de pinguins. Curiosamente, as conclusões a que se tem chegado apontam para um maior sucesso no desenvolvimento das crias, na zona onde são admitidos visitantes. Uma possivel explicação reside no facto dos predadores de ovos (Skuas), preferirem atacar onde os pinguins se encontram mais isolados. Mais uma vez, tivemos a possibilidade de estar num local com uma gigantesca parede de gelo como plano de fundo, numa paisagem preenchida por rochas, água, pinguins gentoos, e diversas aves.

De seguida, fomos a uma zona onde pudemos observar ossadas de baleias, expostas numa área de nidificação de pinguins gentoos e de Blue-Eyed Shag. Tivemos também a oportunidade de observar de perto uma foca leopardo. É bastante impressionante ver tais animais a poucos passos de distância, dando a sensação de sermos directamente transportados para os cenários dos documentários televisivos.


Fotografia: Students-on-ice.

Regressados ao navio, jantámos e assistimos a uma palestra da cientista Belinda, sobre mergulhos ao fundo do oceano, na busca do histórico Titanic, afundado em 1912, no Atlântico Norte. Ficamos elucidados sobre a logística e os processos do mergulho, assim como da dinâmica do fundo dos oceanos, que normalmente encaramos como apenas uma enorme massa de água. Pudemos observar fotos de evidências de tectónica de placas e da actividade vulcânica.

Amanhã é o nosso último dia para a descoberta deste continente.

Vamos agora aproveitar a noite, que não consegue espreitar por entre a persistente luz do dia.

Inês Murteira

Novo filme disponível

Esperamos que esteja a gostar de acompanhar este blogue tanto como nós! É com grande alegria e emoção que a equipa do LATITUDE60! está a acompanhar esta expedição.

Entretanto, vale a pena ver o excelente filme que acaba de ser disponibilizado em http://www.studentsonice.com/antarctic2007/html/expedition_videos_03.htm

Pela equipa LATITUDE60!
G. Vieira

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Danco Island


Fotografia: Students-on-ice.

2 de Janeiro de 2008

Hoje o dia começou muito cedo. Levantámo-nos as 6h da manhã e, antes de tomar o pequeno-almoço, fomos a terra, a Danco Island. Assim que chegamos, avistamos uma foca elefante que apesar de juvenil era enorme, deitada a beira da água.


Quando todos chegaram, começámos a subir uma montanha. Foi uma escalada difícil, mas todos conseguimos alcançar a meta. A sensação que todos tivemos, ao chegar ao topo, e indescritível. E, mais indescritível ainda, foi a sensação que tivemos quando fechamos os olhos e fizemos um minuto de silencio.



Fotografia: Students-on-ice.

Os pinguins acompanharam-nos na subida e na descida. Tivemos a oportunidade de, tal como os pinguins, deslizar na neve, deixando-nos escorregar glaciar abaixo.


Fotografia: Students-on-ice.

Assim que todos chegamos novamente à praia, voltamos para o barco para tomar o pequeno-almoco. Hmm... soube mesmo bem recuperar energias.



Fotografia: Students-on-ice.

De seguida voltámos a pisar o continente Antárctico, em Neko Harbor. Este foi o local que mais me agradou visitar, aqui, tivemos a oportunidade de participar em workshops sobre aspectos geológicos do local, gelo e glaciares e ainda recolhemos amostras de organismos das águas antárcticas que pudemos observar mais tarde ao microscópio.


Tivemos ainda a oportunidade de observar focas, pinguins e skuas convivendo com a natureza de uma forma exclusiva.



Fotografia: Students-on-ice.

Pela tarde, assistimos a uma palestra, “Climate Change and Ice Cores”. Nesta palestra fomos confrontados com alguns pontos de vista sobre o assunto. Por entre muitas certezas que existem, a grande conclusão a que todos podemos chegar é que ainda temos um longo caminho a percorrer para garantir que locais como estes, tão fundamentais para o nosso planeta, permaneçam intactos.


Tínhamos planeado um cruzeiro, a Paradise Bay, nos pequenos botes de borracha que utilizamos para ir a terra, mas, devido ao mau tempo, não foi possível cumprir o plano. No entanto, a palavra-chave para toda esta expedição, diz o Geoff, é a flexibilidade, assim sendo passamos para o plano B e fizemos um maravilhoso cruzeiro em Paradise Bay no nosso navio, o que foi mais uma experiência única. Todos vestiram as suas roupas quentinhas e foram para o exterior do navio, apreciando a paisagem e aproveitando para brincar com os flocos de neve que caiam com grande intensidade.


Mesmo com as mãos geladas e o nariz encarnado, todos se divertiram imenso e absorveram este momento único na nossa viagem.


Tivemos ainda tempo, antes de jantar, para assistir a uma palestra que nos elucidava sobre as dificuldades e ao mesmo tempo a alegria imensa que e fazer investigação cientifica subaquática em condições de inverno tão severas como aquelas que se encontram na Antárctica.


Acabamos o dia a visualizar um filme que retrata a expedição antárctica de Sir Ernest Shackleton, no qual participou um dos membros da equipa Students On Ice, Alex Taylor.


Estou ansiosa pelo dia de amanha pois tenho a certeza que vai ser tão ou mais emocionante como todos estes que temos vivido ate agora.

Irina Boteta

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Dia de Ano Novo na Ilha Deception


Fotografia: Students-on-ice.

1 de Janeiro de 2008

Acordámos rodeados de glaciares, enquanto entravamos numa caldeira de um vulcão, em plena ilha Deception. As grandes rochas rodeavam-nos, como se tivessem chantilhy no topo, ao mesmo tempo que um considerável nevoeiro cercava o navio.

Fomos a terra, onde vimos as antigas estruturas, onde, em tempos, se desenvolveram actividades industriais (extracção de óleo de baleia) e que, mais tarde, tiveram de ser abandonadas devido a uma erupção vulcânica.


Passeámos pela praia ao lado de pinguins e skuas, ouvimos os sons, vimos todas as cores, absorvendo tudo quanto podiamos.


Começámos a preparar-nos para o tradicional mergulho, nas águas frias da caldeira, enquanto, a beira da praia, os chaperones começavam a construir uma pequena piscina, com as águas aquecidas pela energia geotérmica.


Como manda a tradição, em fato de banho, corremos para a água fria, onde tambem andavam pinguins. Mergulhamos completamente na água e, num flash, corremos para a pincina improvisada de água quente, à beira da praia, para nos aquecermos. Fazemos, agora oficialmente, parte da Antarctic
Swimming Team!

Honestamente, custou-me mais andar descalça na praia de gravilha do que o mergulho propriamente dito.

Regressados ao barco, almoçámos e tivemos um pequeno momento de reflexão e descanso antes de dar inicio aos workshops e palestras.


Os três workshops tinham como tema mapas e cartografia, musica e fotografia. Posteriormente, assistimos a uma palestra da Ingrid sobre pinipedes e baleias.


Após o jantar, assistimos a uma apresentação de fotos da Terra, tiradas do espaco por um astronauta, que viaja connosco.


O dia revelou-se, na maior parte do tempo, dedicado a reflexão.

O convívio com pessoas de todas as partes do Mundo tem sido, como não podia deixar de ser, uma constante. Criamos novos horizontes e apercebemo-nos de novas realidades.

Esperemos, agora, pelo dia de amanhã.

A propósito – Bom Ano Novo!

Inês Murteira

Mais um video on-line

Está já on-line no site dos Students-on-ice o vídeo acerca da travessia da Passagem de Drake a caminho da Antárctida.

Vejam em http://studentsonice.com/antarctic2007/html/expedition_videos.html

31 de Dezembro de 2007 - Em terras do continente antárctico

Fotografia - Students-on-ice.


O dia de hoje foi absolutamente fantástico. E extraordinário como a Antárctida nos consegue surpreender e cativar ainda mais a cada dia que passa.

De manha tivemos o enorme privilégio de pisar o continente antárctico propriamente dito. Passear numa praia rochosa de um continente tão hostil como a Antárctida, que se estende por milhares de quilómetros, é uma sensação tão esmagadora quanto indescritível. Para além de uma grande sensação de insignificância, o prazer em apreciar a natureza no seu estado mais puro e selvagem e enorme e impagável.

Após uma hora passada na óptima companhia dos pinguins, que são, aliás, criaturas muito afáveis e curiosas, regressamos ao navio para um almoço tardio.


Fotografia: Students-on-ice.


Fotografia: Students-on-ice.

Por volta das 4 da tarde, dirigimo-nos para a nossa próxima paragem, também tão bela e ainda mais inacreditável que a anterior. Trata-se de uma base argentina construída no Cabo Esperanza onde vivem, de facto, 8 famílias, levando uma vida perfeitamente normal e civilizada, ou seja, usufruindo de educação e de todos os frutos da tecnologia (televisão, internet, e tantos outros). As pessoas da base receberam-nos tão bem e com tamanho entusiasmo que nos fizeram sentir totalmente em casa. As crianças estavam muito entusiasmadas com a nossa chegada e fartaram-se de conversar connosco (aliás, com os que percebem e falam espanhol). De facto, elas gostaram tanto da nossa presença que desejaram que o vento aumentasse de tal forma a não podermos abandonar a base. E durante algumas horas o vento fez-lhes a vontade. Por entre o frio e o vento, mas rodeados de uma paisagem fenomenal, passamos essas horas à espera que o vento amainasse. Foi então que admiramos verdadeiramente estas … pessoas, que vivem todo o ano num continente cujo clima é severo ate para os animais polares.


Fotografia: Students-on-ice.

Quando finalmente partimos, tivemos pena de deixar para trás um local de tamanha beleza, onde nos sentimos envolver, por um lado, pelo lado selvagem da natureza e, por outro, pela amabilidade dos habitantes.


Após o regresso ao navio, completamente encharcados, e um jantar revigorante, celebramos a passagem de ano, numa festa deveras peculiar. A maior parte das pessoas vestiram a maior “misturada” que conseguiram, combinando roupa térmica com roupa interior. Mas no meio de todas estas combinações horrendas, foi extraordinário ver a rapariga japonesa vestida com um kimono lindíssimo e os dois irmãos árabes vestidos com a roupa característica dos Emirados Árabes Unidos. O ambiente vivido na festa foi excelente e depois da meia noite a expressão “happy new year” ouviu-se na sala vezes e vezes sem conta. Foi, sem duvida, a melhor passagem de ano que alguma vez tivemos.

Inês Martins/Todos

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Dia 30 Dez - 3º dia a bordo do USHUAIA.

Fotografia Students-on-ice.

Embora haja uma neblina cegante a rodear o navio, isso nao impede toda a gente de observar o mar, admirar as aves que seguem o navio e procurar por icebergs.

Temos seguido o decurso desta viagem com grande entusiasmo: assistimos a cerca de 3 palestras por dia a bordo do barco, todas muito interessantes do ponto de vista cientifico; conhecemos pessoas novas, de outras nacionalidades, com outros costumes.

E impossivel nao sentir a paixao e o entusiasmo partilhados por todos e, acima de tudo, nao nos deixarmos ir pela corrente.

Foi magnifico ver a neblina abrir-se lentamente e ao longe comecarmos a avistar Elephant Island. Isto tudo, claro, so pouco depois de nos termos deslumbrado com os primeiros icebergs que vimos na viagem.


Fotografia Students-on-ice.

Hoje, de tarde, tivemos a nossa primeira saida de semi-rigido para o azul Antarctico. Todos partilhamos da mesma opiniao: O homem ainda nao inventou as palavras que se poderiam usar para descrever o potencial que a natureza tem. Nao podemos ignorer que esta e a melhor viagem das nossas vidas e que, daqui, podemos lever muito para o mundo que aguarda o nosso regresso.

Tivemos a oportunidade de observar pinguins, icebergs, queda livre de pequenas fraccoes de icebergs que mesmo assim soavam a trovoes, e alguns de nos avistaram uma foca leopardo.

Depois do jantar, foi-nos possivel seguir, de perto, quarto baleias corcunda. Mais uma vez, o espanto partilhado por todos e o significado que aquele momento teve, a forma como ele nos marcou, foi indescritivel.

Fotografia Students-on-ice.

Agora sabemos e compreendemos tudo o que podemos levar daqui para casa e, com alguma sorte, amanha saberemos ainda mais.

Joao Covita

Síntese enviada pela Ana Salomé, a tutora do grupo


Fotografia: Students-on-ice.

Este é um excerto de um email enviado pela Ana Salomé a 31 de Dezembro de 2007

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Depois de umas longas e cansativas horas de voo, acompanhadas de um cardapio nao muito convidativo, chegamos dia 26 de tarde a Ushuaia ao hotel Del Glaciar onde a equipa dos SOI nos recebeu com um magnifico jantar.


O programa de actitivades dos SOI iniciaram dia 27 de manha quando saimos para uma caminhada com o intuito de ver a lagoa Esmeralda. Durante a viagem a guia que nos acompanhou (Sofia) foi-nos falando um pouco de Ushuaia abrangendo tambem alguns problemas sociais (passamos por uma pequena manifestacao das populacoes locais, as quais estavam a queimar pneus velhos num caminho, com o intuito de reenvindicar direitos basicos a agua, saneamento, electricidade, apesar de terem sido construcoes ilegais; passamos por uma zona industrial perto da qual estava instalado uma especie de bairro social cujas casas eram cor-de-rosa com o telhado azul; passamos tambem por um dos exlibris de Ushuaia que e o monte Olivia e os 5 irmaos. Para alcancarmos o nosso tao almejado objectivo de ver a magnifica lagoa Esmeralda e alguns alguns fenomenos de glaciacao ocorridos, tivemos que percorrer terrenos pantanosos e lamacentos. A caminhada durou cerca de 5 horas, com paragens pelo meio para descansar e almocar. Mas valeu a pena todo o esforco e foi muito divertido. Houve mesmo quem tomasse banho na agua gelada.

Pelo caminho vimos as casas dos castores, uma especie introduzida e, sem predador natural, tem vindo a aumentar grandemente a populacao causando serios impactos no ambiente.

Para chegarmos a lagoa passamos ainda por uma zona de floresta composta inicialmente por lenga. Era nitida a diferenca entre a vegetacao a medida que subiamos em direcçao a lagoa. A vegetacao que inicialmente apresentava um porte arboreo, formando um manto fechado, tornava-se mais tarde em vegetacao de porte arbustivo e rasteira com uma fraca dispersao. Junto a lagoa aproveitamos ainda para abordar algumas questoes relaccionadas com a geologia, vegetacao, …

De regresso ao hotel demos um salto a vila para fazer algumas compras e tratar de assuntos pendentes.


No dia 28 de Dezembro de manha fizemos outra caminhada ao Parque nacional, mas desta vez a pouca lama existente ja nao contituia um obstaculo a nossa passagem. Visitamos a entre outras, a lagoa Verde, e falamos tambem mais um pouco sobre a geologia e vegetacao. Locais sem duvida maravilhosos mas o nosso Portugal, em termos de paisagem, nao fica nada atras. De tarde fomos para o barco e demos inicio a nossa aventura rumo a solo antarctico, mas isto nao sem antes abordarmos algumas questoes de seguranca a bordo do navio USHUAIA.


Fotografia: Students-on-ice.

O dia que se seguiu (29 Dezembro), foi passado com alguma indisposicao por parte de algumas pessoas cujo estomago se mostrou mais sensivel a balancos. Durante o dia muitas foram as actividades desenvolvidas, desde ioga; a escrita; a jogos de palavras e nomes, workshops de fotografia, musica e mapas e cartas; a palestras dadas por alguns dos cientistas que viajam connosco; fazer novas amizades; ….


Fotografia: Students-on-ice.

Dia 30 a espectativa era grande. Estamos ja muito perto e havia sem duvida possibilidade de fazer o nosso primeiro passeio nos ZODIAC a fim de vermos de perto a colonia de pinguins que se encontra instalada na ilha elefante. Alguns passaram a saltar na agua mesmo ao nosso lado,
eram pinguins Chinstrap. Houve mesmo quem chegasse a ver uma foca leopardo.

Mas as surpresas deste dia nao ficam por aqui… de volta ao barco, e durante o nosso jantar (perto das 8h00) fomos avisados pela comandante que nos encontravamos muito proximo de um grupo de baleias. Claro que nem acabamos de comer e saimos todos disparados para fora, munidos com os nossos binoculos e maquinas fotograficas para captar as melhores imagens. As baleias foram muito hospitaleiras aproximando-se bastante do barco USHUAIA para que todos podessemos obrevar melhor, ouvir os seus sons e sentir o seu cheiro. Digo-vos que foi maravilhoso. Alguns de nos chegaram mesmo a chorar de tanta emocao.

Ana Salomé